terça-feira, 2 de outubro de 2007






De noite, amada, amarra teu coração ao meu

e que eles no sonho derrotem as trevas

como um duplo tambor combatendo no bosque

contra o espesso muro das folhas molhadas.

Noturna travessia, brasa negra do sonho.

Interceptando o fio das uvas terrestres

com pontualidade de um trem descabelado

que sombra e pedras frias sem cessar arrastasse.

Por isso, amor, amarra-me ao movimento puro,

à tenacidade que em teu peito bate.

Com as asas de um cisne submergido,

para que as perguntas estreladas do céu responda

nosso sonho com uma só chave,

com uma só porta fechada pela sombra.

Pablo Neruda

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